O que significa qualidade
na Educação Infantil?

Falar de qualidade na Educação Infantil significa olhar muito além de infraestrutura ou acesso à vaga. Qualidade envolve as experiências que as crianças vivem no cotidiano das creches e pré-escolas: as interações com adultos e outras crianças, as oportunidades de brincar e explorar, a organização dos espaços e as práticas pedagógicas que favorecem o desenvolvimento integral.

A Educação Infantil – como bem coloca a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – representa o “início e o fundamento do processo educacional”. Nesta etapa, diferentemente das demais da Educação Básica, os eixos estruturantes das práticas pedagógicas são as interações e o brincar.

O que é esperado da Educação Infantil?

Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento

A Base explicita seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil. Esses direitos, articulados aos campos de experiência, constituem uma referência para compreender o que caracteriza a qualidade pedagógica nessa etapa.

Uma oferta de qualidade é aquela que garante às crianças oportunidades concretas de viver essas experiências no cotidiano das instituições.

Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.
Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.
Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando.
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio de diferentes linguagens.
Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário.

Organização Curricular

Em relação à organização curricular, a Educação Infantil está estruturada em cinco campos de experiências:

Acesse o texto
completo da BNCC

O eu, o outro e o nós

Na interação com outras crianças e adultos, as crianças constroem sua identidade, desenvolvem autonomia e aprendem a reconhecer e respeitar as diferenças, ampliando sua compreensão de si e do outro.

Corpo, gestos e movimentos

Por meio do corpo, dos gestos e dos movimentos, as crianças exploram o mundo, se expressam, constroem conhecimentos e desenvolvem consciência de suas potencialidades e limites.

Traços, sons, cores e formas

Ao vivenciarem diferentes manifestações artísticas e culturais, as crianças ampliam suas formas de expressão e criam produções próprias com sons, traços, gestos e materiais diversos.

Escuta, fala, pensamento e imaginação

As crianças se comunicam por gestos, sons e palavras, ampliando progressivamente sua linguagem, pensamento e imaginação nas interações cotidianas.

Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações

Ao explorar espaços, tempos, fenômenos naturais e relações socioculturais, as crianças constroem noções sobre o mundo físico, social e matemático.

Dimensões da qualidade com equidade na Educação Infantil

1

Parâmetros Nacionais de Qualidade
e Equidade para a Educação Infantil

Publicados pela primeira vez em 2006 pelo Ministério da Educação (MEC), os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil estabeleceram referenciais técnicos e conceituais. Em 2024, o MEC publicou os Parâmetros Nacionais de Qualidade e Equidade para a Educação Infantil (PNQEEI) — um documento normativo que estabelece diretrizes operacionais obrigatórias para os sistemas de ensino público e privado.

Os Parâmetros organizam a qualidade da etapa em cinco grandes dimensões:

1
Gestão
Democrática
Acesso e permanência
Articulação entre
níveis de governo
Relação com o Ensino
Fundamental
2
Identidade e
formação
profissional
Identidade profissional
Carreira e valorização
profissional
Desenvolvimento
profissional
3
Proposta
Pedagógica
Currículo e práticas
pedagógicas
Inclusão e diversidade
Participação das
famílias
4
Avaliação da
Educação Infantil
Avaliação da rede
Autoavaliação
institucional
5
Infraestrutura,
edificações e
materiais
Espaços
Equipamentos
Materiais pedagógicos
2

Diretrizes Operacionais Nacionais de Qualidade
e Equidade para a Educação Infantil

Em complementariedade aos Parâmetros Nacionais de Qualidade e Equidade para a Educação Infantil, foram instituídas, em 2024, pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), as Diretrizes Operacionais Nacionais de Qualidade e Equidade para a Educação Infantil.

Enquanto os parâmetros definem os padrões de qualidade, as Diretrizes orientam a aplicação desses modelos nos sistemas de ensino — o como. Isto é, indicam como os sistemas de ensino e as instituições devem organizar políticas, processos de gestão, monitoramento e avaliação.

Como monitoramos qualidade hoje no Brasil?

A Avaliação da Educação Infantil (AEI),
conhecida como Saeb da Educação Infantil

A Avaliação da Educação Infantil (AEI) é o principal instrumento nacional de monitoramento da etapa, tendo sido incorporada ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2019 e é popularmente conhecida como Saeb da Educação Infantil. Diferentemente das avaliações aplicadas no Ensino Fundamental e Médio, ela não mede o desempenho das crianças. O foco está nas condições de oferta e funcionamento das instituições.

Características
da AEI:

1

É uma avaliação amostral feita a partir de questionários respondidos por secretários de Educação, diretores escolares e professores.

2

Abrange creches e pré-escolas públicas e privadas conveniadas e não conveniadas.

3

Contempla questões sobre infraestrutura escolar e formação e condição de trabalho dos profissionais, entre outras temáticas.

4

Tem como foco as instituições e não o desempenho individual das crianças.

A partir da AEI, é possível saber que:

Apenas 18%

dos diretores de pré-escola e 23% dos diretores de creche consideram a infraestrutura adequada.*

58%

dos professores da Educação Infantil são concursados.

94%

dos professores têm formação em pedagogia.

29%

dos professores têm apoio de outro docente ou de um assistente em sala de aula.

55%

dos professores consideram que as unidades em que trabalham têm disponibilidade adequada de recursos pedagógicos.

62%

dos professores responderam que sentem “muita necessidade” de ter formações sobre metodologias de ensino para o público-alvo da educação especial.

Necessidade de
aprimoramento

A incorporação da AEI ao Saeb foi um avanço no monitoramento e avaliação da Educação Infantil, que até então não dispunha de nenhuma ferramenta oficial para isso. No entanto, esse instrumento ainda precisa de aprimoramentos, sendo os principais:

1

Escala de
divulgação
a nível
municipal

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O desenho amostral atual permite a divulgação de resultados por UF, por dependência administrativa, localização (urbana e rural), tipo de município (capital ou interior) e estrutura da oferta (apenas creche, apenas pré-escola, creche e pré-escola ou educação infantil não exclusiva). Assim, não há possibilidade de monitoramento em nível municipal — justamente a esfera responsável por sua provisão. Essa limitação dificulta o fortalecimento das políticas municipais para a Educação Infantil e restringe a tomada de decisão dos gestores com base em evidências.

2

Englobar
informações
sobre mais
tipos de turmas
e escolas

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Não há inclusão de turmas exclusivas de Educação Especial, turmas multietapas de Educação Infantil e Ensino Fundamental e escolas indígenas que não ministram a língua portuguesa como primeira língua.

3

Ir além de
questionários

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Por se basear em questionários, está sujeita a vieses nas respostas dos profissionais, o que pode comprometer a precisão dos resultados. Além disso, um diagnóstico mais abrangente e qualificado requer ir além de questionários, incorporando também protocolos de observação.

4

Incorporar
protocolos de
avaliação do
desenvolvimento
infantil

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Ainda não há um modelo de referência para mapear o desenvolvimento e aprendizagem das crianças e formas de verificar como esses processos estão ocorrendo.

5

Aumentar
as taxas
de resposta

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Em 2021, apenas 38,1% dos(as) professores(as) da amostra responderam aos questionários. Entre os(as) diretores(as), a taxa de resposta foi de 56%; entre secretários(as) municipais foi de 84%.

6

Ter mais
poder de
accountability

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O uso da AEI para verificar a efetividade da gestão pública se torna limitado uma vez que não gera notas ou índices agregados, como é o caso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), e ainda não há comparabilidade entre edições.

Além da Avaliação da Educação Infantil no Saeb, existem outros instrumentos desenvolvidos por pesquisadores e organizações voltados à análise de diferentes dimensões da Educação Infantil. Esses instrumentos são utilizados principalmente em estudos e projetos específicos, com finalidades diagnósticas e formativas.

De modo geral, podem ser organizados em dois grandes grupos:

instrumentos que
avaliam o ambiente
educacional e as
práticas pedagógicas;

instrumentos
que avaliam o
desenvolvimento
e as aprendizagens
das crianças.

Essa distinção é relevante porque a qualidade na Educação Infantil envolve múltiplas dimensões: não apenas aspectos relacionados à infraestrutura ou ao currículo, mas também a natureza das interações, as oportunidades de aprendizagem oferecidas às crianças e seu desenvolvimento.

Esta plataforma concentra-se principalmente nos instrumentos que avaliam o ambiente educacional e as práticas pedagógicas, por entender que os resultados de desenvolvimento — especialmente nessa etapa — são influenciados por diversos fatores que vão além do que ocorre nas unidades de Educação Infantil.

Escala de Avaliação de Ambientes de
Aprendizagens dedicados à Primeira
Infância (EAPI)

Entre os estudos voltados à avaliação do espaços de aprendizagem na Educação Infantil, destaca-se a Escala de Avaliação de Ambientes de Aprendizagens dedicados à Primeira Infância (EAPI).

Entre os estudos voltados à avaliação do espaços de aprendizagem na Educação Infantil, destaca-se a Escala de Avaliação de Ambientes de Aprendizagens dedicados à Primeira Infância (EAPI).

1

Organização
dos espaços;

2

Interações entre
professores e
crianças;

3

Oportunidades de
aprendizagem;

4

Práticas
pedagógicas;

5

Condições de
infraestrutura
e segurança.

A escala foi desenvolvida pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Lepes/USP), com base em metodologias internacionais de observação de ambientes educacionais — especialmente o MELE (Measure of Early Learning Environments), que integra o sistema MELQO (Measuring Early Learning Quality and Outcomes) — e em consonância com o disposto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Dimensões avaliadas
pela EAPI

1

Infraestrutura e
condições físicas

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O que avalia

As condições dos espaços onde as crianças passam o dia.

O que é observado

  • Iluminação e ventilação das salas;
  • Organização do mobiliário;
  • Condições do espaço externo;
  • Segurança dos ambientes;
  • Limpeza e conservação das instalações.

Por que importa:

Ambientes adequados garantem segurança, conforto e melhores condições para brincar, explorar e aprender.

2

Materiais e
recursos
pedagógicos

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O que avalia

A disponibilidade e o uso de materiais que apoiam as experiências de aprendizagem.

O que é observado

  • Presença de livros e materiais de leitura;
  • Jogos e brinquedos educativos;
  • Materiais de arte e expressão;
  • Materiais de faz de conta;
  • Acesso das crianças aos materiais.

Por que importa:

Materiais variados ampliam as possibilidades de exploração, criatividade e aprendizagem.

3

Currículo e
oportunidades de
aprendizagem

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O que avalia

As experiências oferecidas às crianças no cotidiano da instituição.

O que é observado

  • Atividades de linguagem e leitura;
  • Experiências com números e quantidades;
  • Exploração da natureza e do ambiente;
  • Atividades artísticas e culturais;
  • Momentos de brincadeira livre.

Por que importa:

Uma oferta diversificada de experiências favorece o desenvolvimento integral das crianças.

4

Interações
e práticas
pedagógicas

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O que avalia

A qualidade das interações entre professores e crianças e entre as próprias crianças.

O que é observado

  • Acolhimento e escuta das crianças;
  • Gestão de conflitos;
  • Incentivo à participação;
  • Respeito ao ritmo de aprendizagem;
  • Envolvimento das crianças nas atividades.

Por que importa:

Interações positivas são um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento infantil.

5

Equipe, gestão
e condições
de trabalho

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O que avalia

Aspectos institucionais que influenciam o funcionamento da unidade.

O que é observado

  • Organização da rotina;
  • Planejamento pedagógico;
  • Apoio à equipe;
  • Condições de trabalho;
  • Gestão da unidade.

Por que importa:

Boas condições institucionais favorecem práticas pedagógicas mais consistentes e qualificadas.

Aplicação no País

Em 2021, por meio de uma parceria entre o Lepes/USP, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e o Itaú Social, a escala foi aplicada em um estudo que avaliou

3.467 turmas de Educação Infantil

1.683 de Creche e
1.784 de Pré-escola

em 12 municípios das cinco regiões do País.

O estudo com aplicação do EAPI abrange 12 municípios, majoritariamente capitais, o que indica que os resultados podem refletir um cenário mais favorável do que a média nacional. Ao comparar variáveis do Censo Escolar que se aproximam das dimensões de infraestrutura e gestão avaliadas pelo instrumento, observa-se que o Brasil apresenta desempenho inferior ao da amostra, com uma diferença de 0,2 desvio padrão (equivalente a cerca de 12%).

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Essa diferença também está associada ao perfil dos municípios considerados no estudo. Em relação ao conjunto do país, a amostra apresenta menor concentração de alunos nos níveis mais baixos de nível socioeconômico (27% frente a 32,7% no Brasil) e uma presença bastante reduzida de escolas rurais (4,6% frente a 35,3%).

Isso sugere que os desafios de qualidade identificados pelo estudo tendem a ser ainda mais intensos no conjunto dos municípios brasileiros, o que já é percebido pelos dados oficiais na dimensão de infraestrutura, em que o Brasil apresenta maiores desvantagens em relação a essas 12 capitais em itens como disponibilidade de espaços externos (área verde e pátio) e presença de instalações adequadas para a educação infantil, como banheiro e parque infantil.

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Boa Vista (RR) Porto Velho (RO) Sobral (CE) Fortaleza (CE) Recife (PE) Goiânia (GO) Campo Grande (MS) Belo Horizonte (MG) Rio de Janeiro (RJ) Suzano (SP) Joinville (SC) Porto Alegre (RS)

Como foi feita a escala
de pontuação

A pontuação da escala EAPI baseia-se em 129 itens de observação, entrevistas com professores (35 itens) e diretores (18 itens). Cada item recebe uma pontuação de 0 a 3, definida a partir de evidências sobre qualidade na Educação Infantil. Em seguida, os itens são agrupados em diferentes dimensões - a média final indica a faixa de qualidade das condições e práticas da oferta de Educação Infantil.

Pontuações na escala EAPI e suas respectivas explicações

Pontuação
0 a 0,99 1 a 1,49 1,5 a 1,99 2 a 2,49 2,5 a 3,0 Faixa de
qualidade
Inaceitável Inadequado Regular Bom Ótimo Significado Riscos ao desenvolvimento integral das crianças Aspectos inaceitáveis superados, mas sem prover aspectos básicos de qualidade Cobertura parcial de aspectos básicos Educação infantil de qualidade adequada Educação infantil no nível máximo de qualidade mensurado pela EAPI
Deslize para os lados para visualizar
a tabela completa

Principais resultados do estudo

Os resultados mostram que
a maior parte das turmas avaliadas apresenta nível de qualidade classificado como regular em todas as dimensões. Isso significa que, embora não haja risco imediato às crianças, existem desafios muito importantes para garantir condições adequadas de desenvolvimento e aprendizagem.

Infraestrutura

Distribuição do total de turmas por pontuação na dimensão “infraestrutura”
Inaceitável
Inadequado
Regular
Bom
Ótimo

Entre as dimensões avaliadas,currículo, interações e práticas pedagógicas apresentaram os resultados mais frágeis.

Em mais de um terço das turmas observadas, essas dimensões foram classificadas como inadequadas ou inaceitáveis.

Currículo, interações e práticas pedagógicas

Distribuição do total de turmas por pontuação na dimensão “Currículo, interações e práticas pedagógicas”
Inaceitável
Inadequado
Regular
Bom
Ótimo

Equipe e gestão

Distribuição do total de turmas por pontuação na dimensão “equipe e gestão”
Inaceitável
Inadequado
Regular
Bom
Ótimo

Arte e cultura na
Educação Infantil 

Teatro, dança e música

Em 64% das turmas de pré-escola
foram observadas
oportunidades de
aprendizagem envolvendo
teatro, dança e música.

Em apenas 12% das turmas essas oportunidades foram oferecidas com nível máximo de qualidade – utilizando pelo menos duas estratégias pedagógicas diferentes e que estimulassem o protagonismo das crianças.

Ponto de atenção

Em apenas 10% das turmas foram observadas oportunidades de aprendizagem que abordam aspectos relacionados à educação étnico-racial, como o uso de músicas, poemas e contos que abordam os legados das culturas Africana, Afro-brasileira e Indígena.

Alguns destaques
preocupantes

Na pré-escola

46% das turmas de pré-escola não
apresentaram brincadeira livre

Na educação infantil

Na Educação Infantil, as desigualdades de oportunidades já se manifestam de forma evidente:

Em 27% das turmas de Educação Infantil os momentos de leitura de livros de história por professores foram observados no nível máximo de qualidade

Em 55% das turmas, esses momentos sequer foram observados.

Pontuação média por dimensão dos 12 municípios

Município 1 INFRAESTRUTURA CURRÍCULO, INTERAÇÕES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EQUIPE
E GESTÃO
Município 1 1,92 1,36 1,89 Município 2 1,74 1,60 1,83 Município 3 2,06 1,67 1,96 Município 4 1,97 1,83 1,93 Município 5 1,87 1,67 1,95 Município 6 2,11 1,91 1,98 Município 7 2,02 1,88 1,88 Município 8 1,59 1,37 1,72 Município 9 1,79 1,69 1,70 Município 10 1,99 1,85 1,73 Município 11 1,73 1,40 1,86 Município 12 1,71 1,63 1,82

Os resultados, por município, mostram que apenas 3 chegaram no nível “bom” em infraestrutura. Em currículo, interações e práticas pedagógicas e equipe e gestão nenhum alcançou este patamar.

Por que instrumentos como a EAPI são importantes?

Avaliações baseadas em observação direta, como a EAPI, ajudam a produzir um tipo de informação que raramente aparece em dados administrativos: como as experiências educativas realmente acontecem no cotidiano das instituições. Esses instrumentos permitem:

1

Compreender melhor a qualidade das práticas pedagógicas;

2

Identificar aspectos do ambiente escolar que podem ser aprimorados;

3

Orientar políticas de formação de professores;

4

Apoiar gestores públicos na tomada de decisões baseadas em evidências.

Ao gerar dados detalhados sobre as experiências vividas pelas crianças nas creches e pré-escolas, instrumentos como a EAPI contribuem para ampliar o conhecimento sobre a qualidade da Educação Infantil no Brasil e para fortalecer políticas públicas voltadas à melhoria dessa etapa fundamental da educação. São instrumentos que complementam o Saeb da Educação Infantil.

Conheça outros instrumentos que avaliam o ambiente e as práticas na Educação Infantil

ECERS-3

O Early Childhood Environment Rating Scale – Third Edition (ECERS-3) avalia a qualidade de ambientes educacionais que atendem crianças de 3 a 5 anos. Foi desenvolvido por pesquisadoras da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, e teve a terceira edição publicada em 2015. É amplamente utilizado em pesquisas e iniciativas de melhoria da qualidade da Educação Infantil em países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Como é aplicado

Trata-se de um protocolo de observação direta, com critérios padronizados, e aplicado por avaliadores treinados. Eles acompanham a rotina das turmas e registram evidências sobre o ambiente educativo, as interações e as experiências oferecidas às crianças.

Dimensões e aspectos avaliados

Espaço e mobiliário:

Adequação e organização dos ambientes internos e externos.

Rotinas de cuidado pessoal:

Práticas relacionadas à saúde, higiene e segurança.

Linguagem e letramento:

Estímulo à comunicação, acesso a livros e promoção da linguagem.

Atividades de aprendizagem:

Variedade e qualidade das experiências oferecidas às crianças.

Interações:

Qualidade das interações entre adultos e crianças e entre as próprias crianças.

Estrutura do programa:

Organização da rotina, planejamento e provisão de oportunidades de aprendizagem.

MELQO

O Measuring Early Learning Quality and Outcomes (MELQO) é um conjunto de instrumentos desenvolvido para avaliar a qualidade das experiências na Educação Infantil, especialmente em contextos mais vulneráveis (baixa e média renda). Foi criado a partir de uma parceria entre a UNESCO, o UNICEF, o Banco Mundial e Brookings Institution.

Como é aplicado

É composto por duas metodologias principais: o Measure of Development and Early Learning (MODEL), que avalia o desenvolvimento e a aprendizagem das crianças por meio de atividades estruturadas aplicadas individualmente e o Measure of Early Learning Environments (MELE), que avalia a qualidade dos ambientes educativos com base em protocolos de observação e questionários respondidos por professores e gestores.

Dimensões e aspectos avaliados

Desenvolvimento das crianças (MODEL):

Linguagem e alfabetização emergente, raciocínio matemático inicial, funções executivas e autorregulação, desenvolvimento socioemocional e habilidades motoras.

Qualidade do ambiente educativo (MELE):

Interações entre professores e crianças, práticas pedagógicas, oportunidades de aprendizagem, organização da rotina e gestão da sala.

Formação e práticas dos profissionais:

Formação docente, práticas pedagógicas e estratégias de apoio ao desenvolvimento infantil.

Infraestrutura e recursos:

condições físicas, disponibilidade de materiais pedagógicos e adequação do espaço.

Gestão e contexto institucional:

Características da unidade, apoio à equipe e organização do funcionamento

Conheça alguns instrumentos que avaliam o desenvolvimento das crianças

IDELA

O International Development and Early Learning Assessment (IDELA) foi desenvolvido pela ONG Save the Children, em 2014, para avaliar o desenvolvimento de crianças entre 3, 5 e 6 anos. Tem como diferencial o fato de ser de fácil adaptação a diferentes contextos e mais acessível a países de baixa e média renda. Segundo a Save the Children, já foi aplicado em mais de 100 países, incluindo localidades como Etiópia, Tanzânia, Ruanda e Colômbia. Está disponível online, de forma gratuita – os interessados precisam apenas preencher um termo para ter acesso a todos os documentos orientadores, vídeos de treinamento e traduções.

Como é aplicado

O instrumento é aplicado diretamente às crianças, por meio de atividades lúdicas e jogos. Tem cerca de 35 minutos de duração.

Dimensões e aspectos avaliados

Linguagem e alfabetização emergente:

Vocabulário, consciência fonológica, compreensão e uso da linguagem.

Numeracia emergente:

Reconhecimento de números, contagem, noções básicas de quantidade e operações simples.

Desenvolvimento motor:

Habilidades motoras finas, como coordenação e controle manual.

Desenvolvimento socioemocional:

Empatia, cooperação, autorregulação, compreensão de emoções e solução de conflitos.

ASQ-3

O Ages and Stages Questionnaires – Third Edition (ASQ-3) foi desenvolvido por pesquisadoras da Universidade de Oregon, nos EUA, e teve sua terceira edição publicada em 2009. É utilizado em mais de 30 países, incluindo Canadá, Reino Unido e Austrália, tanto em contextos educacionais quanto de saúde e assistência social.

Como é aplicado

O ASQ-3 é composto por questionários estruturados, que devem ser respondidos por pais ou responsáveis e professores, com base na observação cotidiana das crianças. O instrumento é organizado por faixas etárias, entre 1 mês e 5 anos e meio, e tem como objetivo identificar o nível de desenvolvimento da criança e possíveis sinais que requerem mais atenção.

Dimensões e aspectos avaliados

Espaço e mobiliário:

Linguagem receptiva e expressiva, compreensão e uso de palavras e frases.

Motricidade grossa:

Habilidades como sentar, engatinhar, andar, correr e pular.

Motricidade fina:

Coordenação motora fina, como segurar objetos, desenhar e manipular pequenos itens.

Resolução de problemas:

Raciocínio, exploração e capacidade de resolver desafios simples.

Pessoal-social:

Interação com adultos e outras crianças, autonomia e habilidades sociais.

Próximos passos: ampliar o conhecimento
sobre a qualidade da Educação Infantil

Nas últimas décadas, o Brasil avançou de forma importante na expansão da Educação Infantil. Ainda assim, a garantia da matrícula permanece um desafio, especialmente na pré-escola, etapa obrigatória. Além disso, é essencial assegurar que todas as crianças tenham experiências educativas de qualidade desde os primeiros anos.

As evidências disponíveis indicam que a qualidade na Educação Infantil envolve múltiplas dimensões:

Estudos realizados nos últimos anos apontam muitas oportunidades de melhoria, especialmente nas experiências de aprendizagem oferecidas às crianças, como momentos de leitura, uso de materiais e oportunidades de brincar e explorar.

Hoje, o Brasil conta com algumas iniciativas importantes de monitoramento, como a Avaliação da Educação Infantil (AEI) e estudos baseados em observação direta, como a EAPI. Ainda assim, pesquisas que relacionam qualidade da oferta e desenvolvimento infantil permanecem escassas e heterogêneas.

Fortalecer a qualidade da Educação Infantil exige avançar na produção e no uso de dados — mas não apenas nessa frente. Também é necessário:

Tornar essas
informações mais
acessíveis para redes de
ensino e gestores locais;

Desenvolver
instrumentos capazes de
captar melhor as
experiências vividas
pelas crianças;

Acompanhar de forma
mais sistemática as
condições de oferta da
Educação Infantil nos
municípios brasileiros.

Ao reunir e divulgar evidências sobre essa etapa da educação básica, iniciativas como o QEdu contribuem para tornar mais visível o cotidiano das creches e pré-escolas e para apoiar a construção de políticas públicas que garantam experiências educativas de qualidade desde os primeiros anos de vida.